17 de outubro. Você sabe por que essa data foi escolhida para homenagear os maquinistas da Marinha?
É o dia que a Marinha brasileira reservou para reconhecer todos os marinheiros que, ao longo do tempo, operaram e mantiveram as máquinas dos seus navios.
Curioso é que, pesquisando a origem dessa comemoração, não encontrei nenhuma Portaria, Norma, Instrução ou qualquer Ato Oficial que a institua formalmente.
Ela existe, é celebrada — mas, pelo menos até onde foi possível apurar, sem respaldo documental oficial.
A escolha da data tem uma razão clara: 17 de outubro de 1893 foi o dia em que nasceu o Vice-Almirante Ary Parreiras, tido como patrono dos maquinistas da Marinha do Brasil.
Vale a mesma observação — também não foi encontrada nenhuma norma ou portaria que o declare oficialmente como patrono.
Mas a trajetória de Ary Parreiras justifica o reconhecimento.
Ele chefiou o Departamento de Máquinas do Encouraçado Minas Gerais, foi instrutor do Curso Especial de Aperfeiçoamento de Máquinas para Oficiais, serviu no Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras e chefiou a Divisão de Serviços de Máquinas da Diretoria de Engenharia Naval.
Em 28 de fevereiro de 1930, saiu de baleeira do Clube de Regatas Icaraí, remou sozinho até a Fortaleza de Santa Cruz, rendeu o sentinela e resgatou três companheiros tenentistas: Juarez Távora, Alcides de Araujo e Estillac Leal.
É o único caso de fuga daquela fortaleza registrado na história brasileira.
Em 16 de dezembro de 1931, Getúlio Vargas o nomeou Interventor Federal do Estado do Rio de Janeiro para sanear as finanças estaduais.
À frente da interventoria, construiu escolas, abriu estradas e ergueu pontes.
Saiu do cargo em 7 de novembro de 1935 com as finanças em situação melhor do que as encontrou — e voltou ao serviço ativo na Marinha.
Parreiras também integrou o chamado "gabinete negro", grupo de oficiais tenentistas que se reunia com Getúlio Vargas após a Revolução de 1930 para discutir o rumo do governo e acompanhar a implementação das medidas preconizadas por ela.
Durante a Segunda Guerra Mundial, foi chefe da Comissão de Instalação e primeiro diretor da Base Naval de Natal, no Rio Grande do Norte — papel fundamental para a participação do Brasil no esforço aliado no Teatro de Operações do Atlântico Sul.
Morreu em 9 de julho de 1945.
O termo "maquinista" designava, historicamente, os operadores de máquinas a vapor marítimas e ferroviárias.
Quem trabalhava com motores de combustão interna era chamado de "motorista".
Com o tempo, porém, essa separação foi perdendo sentido.
Na marinha mercante, o maquinista pode ser tanto um oficial quanto um subalterno da seção de máquinas, especializado em propulsão a vapor, motores de combustão interna, turbinas a gás ou outros sistemas.
Na prática, cabe a esses profissionais preparar, inspecionar e conduzir as máquinas durante o percurso, monitorar o funcionamento, variar o regime de operação conforme a necessidade de manobra, detectar e reparar anomalias mecânicas ou elétricas, coordenar a manutenção do equipamento e garantir os estoques de combustíveis, lubrificantes e outros insumos.
É muita coisa — tudo ao mesmo tempo.
No Brasil, os aquaviários subalternos de máquinas são chamados genericamente de "condutores" — condutores de máquinas marítimos, condutores maquinistas-motoristas fluviais e condutores-motoristas de pesca.
Auxiliam esses profissionais marinheiros de máquinas, moços de máquinas, marinheiros auxiliares de máquinas, marinheiros fluviais de máquinas, motoristas de pesca e aprendizes de pesca, entre outros.
Nas marinhas de guerra, as funções de maquinista são exercidas por oficiais engenheiros, com apoio de sargentos e praças das especialidades de máquinas.
Na Marinha do Brasil, essas funções cabem a oficiais do Corpo da Armada e praças da especialidade de Máquinas.
No início do século XIX, a máquina a vapor reinventou a navegação.
A transição da propulsão a vela para a propulsão a vapor não foi só uma mudança técnica — transformou a aparência dos navios, com a chegada das enormes chaminés e das características rodas de pás, e criou novas demandas logísticas e de formação de pessoal.
A propulsão a vapor dominou a Marinha do Brasil até a década de 1970.
Depois, passou a conviver com motores diesel, turbinas a gás, hélices de passo controlado e sistemas eletrônicos de automação e controle.
O ritmo de inovação foi acelerado, e o campo de conhecimento técnico exigido do maquinista cresceu na mesma proporção.
Ou seja: o maquinista de hoje não é o mesmo de ontem — e o de amanhã vai ser diferente do de hoje.
Chamados de "foguistas" no início, "graxeiros" e "bodes pretos" ao longo da história, os maquinistas da Marinha carregam a missão de prontificar as máquinas e fazer o navio navegar e combater.
Toda operação começa com "máquinas adiante" e termina ao soar do apito no encapelar da primeira espia no porto, com o "parar máquinas".
A disponibilidade dos sistemas de máquinas — propulsão, geração de energia elétrica, navegação, estabilização da plataforma e controle de avarias — é condição vital para o cumprimento da missão.
Tanto na Marinha Mercante quanto na Marinha de Guerra, esses profissionais atuam de forma dedicada, silenciosa e discreta, em cobertas abaixo, nas praças de máquinas, dando ao Comandante a flexibilidade e a segurança operacional de que ele precisa.
E tirando de lá, com o sacrifício que for necessário, o milagroso "vento de porão".
Da próxima vez que você estiver a bordo e ouvir o apito do encapelar da espia, lembre de quem estava lá embaixo para isso acontecer.
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