Dia do Maquinista 2026

Data Comemorativa
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Sobre Dia do Maquinista

17 de outubro. Você sabe por que essa data foi escolhida para homenagear os maquinistas da Marinha?

É o dia que a Marinha brasileira reservou para reconhecer todos os marinheiros que, ao longo do tempo, operaram e mantiveram as máquinas dos seus navios.

Curioso é que, pesquisando a origem dessa comemoração, não encontrei nenhuma Portaria, Norma, Instrução ou qualquer Ato Oficial que a institua formalmente.

Ela existe, é celebrada — mas, pelo menos até onde foi possível apurar, sem respaldo documental oficial.

A escolha da data tem uma razão clara: 17 de outubro de 1893 foi o dia em que nasceu o Vice-Almirante Ary Parreiras, tido como patrono dos maquinistas da Marinha do Brasil.

Vale a mesma observação — também não foi encontrada nenhuma norma ou portaria que o declare oficialmente como patrono.

Ary Parreiras

Mas a trajetória de Ary Parreiras justifica o reconhecimento.

Ele chefiou o Departamento de Máquinas do Encouraçado Minas Gerais, foi instrutor do Curso Especial de Aperfeiçoamento de Máquinas para Oficiais, serviu no Arsenal de Marinha da Ilha das Cobras e chefiou a Divisão de Serviços de Máquinas da Diretoria de Engenharia Naval.

Em 28 de fevereiro de 1930, saiu de baleeira do Clube de Regatas Icaraí, remou sozinho até a Fortaleza de Santa Cruz, rendeu o sentinela e resgatou três companheiros tenentistas: Juarez Távora, Alcides de Araujo e Estillac Leal.

É o único caso de fuga daquela fortaleza registrado na história brasileira.

Interventor federal

Em 16 de dezembro de 1931, Getúlio Vargas o nomeou Interventor Federal do Estado do Rio de Janeiro para sanear as finanças estaduais.

À frente da interventoria, construiu escolas, abriu estradas e ergueu pontes.

Saiu do cargo em 7 de novembro de 1935 com as finanças em situação melhor do que as encontrou — e voltou ao serviço ativo na Marinha.

Parreiras também integrou o chamado "gabinete negro", grupo de oficiais tenentistas que se reunia com Getúlio Vargas após a Revolução de 1930 para discutir o rumo do governo e acompanhar a implementação das medidas preconizadas por ela.

Na Segunda Guerra

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi chefe da Comissão de Instalação e primeiro diretor da Base Naval de Natal, no Rio Grande do Norte — papel fundamental para a participação do Brasil no esforço aliado no Teatro de Operações do Atlântico Sul.

Morreu em 9 de julho de 1945.

O maquinista

O termo "maquinista" designava, historicamente, os operadores de máquinas a vapor marítimas e ferroviárias.

Quem trabalhava com motores de combustão interna era chamado de "motorista".

Com o tempo, porém, essa separação foi perdendo sentido.

Na marinha mercante, o maquinista pode ser tanto um oficial quanto um subalterno da seção de máquinas, especializado em propulsão a vapor, motores de combustão interna, turbinas a gás ou outros sistemas.

Na prática, cabe a esses profissionais preparar, inspecionar e conduzir as máquinas durante o percurso, monitorar o funcionamento, variar o regime de operação conforme a necessidade de manobra, detectar e reparar anomalias mecânicas ou elétricas, coordenar a manutenção do equipamento e garantir os estoques de combustíveis, lubrificantes e outros insumos.

É muita coisa — tudo ao mesmo tempo.

No Brasil, os aquaviários subalternos de máquinas são chamados genericamente de "condutores" — condutores de máquinas marítimos, condutores maquinistas-motoristas fluviais e condutores-motoristas de pesca.

Auxiliam esses profissionais marinheiros de máquinas, moços de máquinas, marinheiros auxiliares de máquinas, marinheiros fluviais de máquinas, motoristas de pesca e aprendizes de pesca, entre outros.

Nas marinhas de guerra, as funções de maquinista são exercidas por oficiais engenheiros, com apoio de sargentos e praças das especialidades de máquinas.

Na Marinha do Brasil, essas funções cabem a oficiais do Corpo da Armada e praças da especialidade de Máquinas.

Do vapor ao diesel

No início do século XIX, a máquina a vapor reinventou a navegação.

A transição da propulsão a vela para a propulsão a vapor não foi só uma mudança técnica — transformou a aparência dos navios, com a chegada das enormes chaminés e das características rodas de pás, e criou novas demandas logísticas e de formação de pessoal.

A propulsão a vapor dominou a Marinha do Brasil até a década de 1970.

Depois, passou a conviver com motores diesel, turbinas a gás, hélices de passo controlado e sistemas eletrônicos de automação e controle.

O ritmo de inovação foi acelerado, e o campo de conhecimento técnico exigido do maquinista cresceu na mesma proporção.

Ou seja: o maquinista de hoje não é o mesmo de ontem — e o de amanhã vai ser diferente do de hoje.

Máquinas adiante

Chamados de "foguistas" no início, "graxeiros" e "bodes pretos" ao longo da história, os maquinistas da Marinha carregam a missão de prontificar as máquinas e fazer o navio navegar e combater.

Toda operação começa com "máquinas adiante" e termina ao soar do apito no encapelar da primeira espia no porto, com o "parar máquinas".

A disponibilidade dos sistemas de máquinas — propulsão, geração de energia elétrica, navegação, estabilização da plataforma e controle de avarias — é condição vital para o cumprimento da missão.

Tanto na Marinha Mercante quanto na Marinha de Guerra, esses profissionais atuam de forma dedicada, silenciosa e discreta, em cobertas abaixo, nas praças de máquinas, dando ao Comandante a flexibilidade e a segurança operacional de que ele precisa.

E tirando de lá, com o sacrifício que for necessário, o milagroso "vento de porão".

Da próxima vez que você estiver a bordo e ouvir o apito do encapelar da espia, lembre de quem estava lá embaixo para isso acontecer.

Perguntas Frequentes

20 de Outubro de 2026 | Terça-feira

Dia do Maquinista é data comemorativa no Brasil.

17 de outubro. Você sabe por que essa data foi escolhida para homenagear os maquinistas da Marinha? É o dia que a Marinha brasileira reservou para reconhecer todos os marinheiros que, ao longo do tempo, operaram e mantiveram as máquinas dos seus navios.

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