Você sabia que São Paulo tem um dia só pra celebrar o jornal de bairro? Pois é: 1º de setembro.
A data foi oficializada pela Lei Nº 14485, de 19 de julho de 2007, mas a história é mais antiga — e mais confusa — do que parece.
Tudo começou com a Lei Nº 13.919, de 16 de novembro de 2004, que alterou a Lei Nº 10.777, de 22 de novembro de 1989.
Antes disso, o tal "Dia do Jornal de Bairro" caía em 13 de junho. O problema?
O Projeto de Lei Nº 280, de 27 de junho de 1989, não explicava direito por que aquela data foi escolhida. Ninguém entendia.
E o que não se entende, se questiona.
Por isso, grupos ligados à imprensa de bairro pressionaram a Câmara de Vereadores pra mudar a celebração pra uma data que fizesse mais sentido histórico.
O motivo é direto — e bonito: em 1º de setembro de 1895, começou a circular o jornal O Braz, editado pelo coronel Albino Bairão.
Esse é considerado o primeiro jornal de bairro do Brasil.
A data acabou virando também o "Dia da Imprensa Regional e de Bairro" do Estado de São Paulo.
Porém, tem um detalhe curioso.
Existem registros de um bissemanário chamado O Paulista, que teria circulado — de forma bem precária, porque era manuscrito — durante dois meses em 1823, pra apenas cinco assinantes da capital paulista.
Ou seja, a disputa pelo título de "primeiro" não é tão simples assim.
Mas afinal, o que é jornal de bairro na prática?
É aquele jornalismo voltado pra participação e atuação regional, com abrangência territorial pequena.
Não compete com a grande mídia nem cobre os mesmos fatos.
E convenhamos: a grande mídia às vezes carrega interesses bem particulares nas entrelinhas, nas fotografias, nos editoriais.
O jornal de bairro costuma ser modesto.
Não passa de cinquenta páginas no formato tabloide ou trinta no standard.
Muitos existem como boletins, produzidos de forma manual, impressos em offset ou reproduzidos em fotocópias por entidades de bairro, grupos de estudantes de comunicação, ativistas de movimentos sociais ou jornalistas que simplesmente não se identificam com os grandes veículos.
E tem ainda os fanzines — aqueles boletins ou revistas com editorial underground, criados por jovens querendo mostrar sua opinião, sua insatisfação, com vertentes ideológicas próprias.
Uma imprensa que nasce da vontade de falar, não da estrutura pra fazer isso.
E talvez seja justamente aí que mora a força do jornal de bairro: na coragem de existir mesmo sem ter tudo no lugar.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: