Vinte e dois anos. É o tempo que separa o primeiro treino da corda branca de mestre — e quem olha de fora dificilmente entende o peso disso.
Para muita gente, essa não é apenas uma graduação.
É uma vida inteira dedicada a uma arte que nasceu da resistência de escravos africanos e hoje é patrimônio reconhecido em lei.
No Amapá, esse reconhecimento veio com a Lei Nº 1.678, de 28 de maio de 2012, que criou o Dia do Capoeirista e do Mestre de Capoeira, celebrado em 30 de junho.
A mesma lei declarou a capoeira patrimônio imaterial do estado — reconhecendo-a como esporte, dança, luta, cultura popular e brincadeira — e determinou que ela seja praticada nas escolas como instrumento de integração social e resgate da cidadania.
A graduação segue o sistema oficial da Confederação Nacional de Capoeira do Brasil.
Tudo começa com a corda crua, sem cor nenhuma.
Depois vêm o verde, o amarelo, o azul, o verde com amarelo, o verde com azul e, por fim, o amarelo com azul — quando o aluno passa à condição de estagiário.
A partir daí, o tempo é o critério.
Com 5 anos de prática, formado: corda verde, amarelo e azul. Com 7, monitor — branca e verde. Com mais de 12 anos, instrutor: branca com amarelo.
Aos 17, contramestre: branca com azul. Aos 22, a corda branca sozinha já diz tudo.
É mestre.
Antes de qualquer graduação, existe o batizado.
É a cerimônia em que alunos e professores jogam juntos numa grande roda e, ao final do jogo, o professor responsável dá o nó na corda do capoeirista.
Mas não é só um nó.
É um compromisso — o símbolo que o atleta deverá honrar dali em diante.
A capoeira é tipicamente nordestina, com raízes fincadas na Bahia.
Escravos que não podiam lutar abertamente criaram uma arte que parecia dança — o que por fora era ginga e música, por dentro era resistência pura.
Uma forma de continuar de pé quando tudo tentava te dobrar.
Ou seja, desde o começo já era tudo ao mesmo tempo: resistência, cultura e identidade.
Por isso, no Dia do Capoeirista, o que se celebra não é só uma data.
É a prova de que uma arte nascida do sofrimento pode virar patrimônio de um povo inteiro.
Se você conhece um capoeirista, hoje é um bom dia para lembrar disso.
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