7 de junho. Você provavelmente não acorda pensando nisso — mas existe uma lei que reservou esse dia para quem escreve na internet.
No Distrito Federal, a Lei Nº 5.040, de 25 de fevereiro de 2013, oficializou o Dia do Blogueiro no calendário comemorativo brasileiro.
A escolha da data não é aleatória: está ligada à liberdade de imprensa e à fundação da FELAP.
Por isso, entender essa data é entender um pedaço da história da comunicação digital.
A Federação Latino-americana de Jornalistas — ou Federación Latinoamericana de los Periodistas — nasceu em 7 de junho de 1976, na Cidade do México.
Foi constituída como Organização Não-Governamental associada à UNESCO e reúne associações, federações, uniões, círculos, conselhos e sindicatos de jornalistas da América Latina e do Caribe — mais de 80 mil profissionais representados.
Além das organizações de jornalistas, a FELAP integra como associadas mais de 50 instituições ligadas ao estudo e à prática da comunicação: centros de pesquisa, escolas de jornalismo, bibliotecas especializadas, agências de notícias, publicações.
Desde 1976, realizou 8 Congressos, nos quais se definiram as linhas de ação e se elegeram os membros do Comitê Executivo (Comité Ejecutivo), responsável por executar as decisões.
Promoveu também seminários, encontros e cursos de capacitação — editou boletins, revistas e atuou em diversas frentes internacionais na defesa dos trabalhadores da imprensa.
Em 1991, por decisão da própria FELAP, surgiu a CIAP — Comissão de Investigação de Atentados a Jornalistas (Comisión de Investigación de Atentados a Periodistas).
A justificativa é brutal: a América Latina concentra o maior número de mortes, agressões, atentados e violações de direitos humanos no exercício do jornalismo.
Ou seja, o continente mais perigoso do mundo para quem exerce a profissão.
A IOJ — Organização Internacional de Jornalistas (International Organization of Journalists) — também atua nesse contexto.
Mas afinal, o que faz um blogueiro?
Em essência: produz conteúdo sobre os mais variados temas — textos, imagens, vídeos, gráficos, combinados ou não.
Todo dia, inúmeras publicações são criadas.
E o impacto disso é cada vez mais concreto: blogueiros são reconhecidos como formadores de opinião, com alcance real sobre a forma como as pessoas entendem o mundo.
A atividade cresce ano a ano, impulsionada pelas novas formas de distribuição de conteúdo que ampliam o alcance de cada publicação.
De certa forma, as páginas na web funcionam como uma biblioteca digital — ideias desenvolvidas sobre os mais variados campos do conhecimento.
Mas, ao contrário de uma biblioteca tradicional, qualquer pessoa pode ser o autor.
Isso muda a lógica inteira da disseminação do conhecimento.
Um blog — ou blogue, contração do inglês weblog ou "diário da rede" — é um site cuja estrutura permite atualização rápida a partir de acréscimos dos chamados artigos ou posts.
Esses posts são organizados de forma cronológica inversa, com foco na temática do blog, e podem ser escritos por um número variável de pessoas conforme a política de cada blog.
Muitos blogs fornecem comentários ou notícias sobre um assunto específico; outros funcionam mais como diários online.
O formato típico combina texto, imagens e links para outros blogs, páginas da web e mídias relacionadas.
A possibilidade de leitores deixarem comentários e interagirem com o autor é uma das características mais importantes — e mais subestimadas — do formato.
Alguns sistemas de criação são especialmente atrativos pelas facilidades que oferecem: ferramentas próprias que dispensam conhecimentos de HTML (HyperText Markup Language), a linguagem usada para criar páginas na internet.
A maioria dos blogs é primariamente textual, mas há blogs focados em arte, fotografia, vídeos, música ou áudio, formando uma ampla rede de mídias sociais.
Existe ainda o microblogging — blogs com textos curtos, como o Twitter.
Desde o final do século XX, a blogosfera — o mundo dos blogs como comunidade ou rede social — cresceu em ritmo espantoso.
Em 1999, o número de blogs era estimado em menos de 50.
No final de 2000, poucos milhares. Menos de 3 anos depois, os números saltaram para algo entre 2,5 e 4 milhões.
Em dezembro de 2007, o mecanismo de busca Technorati rastreou mais de 112 milhões de blogs — e cerca de 120 mil novos blogs eram criados diariamente, segundo o estudo State of Blogosphere.
Com o videoblog, o termo ganhou um significado ainda mais amplo: qualquer tipo de mídia onde um indivíduo expresse sua opinião ou discorra sobre um assunto.
O blog é, por isso, uma evolução dos diários online, onde pessoas registravam informações constantes sobre suas vidas pessoais.
Esses primeiros blogs eram simples componentes de sites, atualizados manualmente no código da página.
As ferramentas de produção e manutenção de artigos em ordem cronológica facilitaram o processo — e ajudaram muito na popularização do formato, levando ao desenvolvimento de plataformas e hospedagens específicas para blogs.
Antes do blog se tornar conhecido, existiam vários formatos de comunidades digitais: o Usenet, serviços comerciais como GEnie, BiX e CompuServe, além de listas de discussão e o BBS (Bulletin Board System).
Em 1990, softwares de fóruns como o WebEx criaram os diálogos via tópicos ou threads.
O termo weblog foi criado em 17 de dezembro de 1997 pelo blogueiro norte-americano Jorn Barger, editor do blog "A Sabedoria do Robô" (Robot Wisdom).
A abreviação "blog" veio de Peter Merholz, líder norte-americano em treinamento focado na experiência do usuário, que desmembrou a palavra weblog para formar a frase "we blog" — "nós blogamos" — na barra lateral do seu blog, em abril ou maio de 1999.
Logo depois, Evan Williams, programador e empreendedor da internet no Pyra Labs, usou "blog" tanto como substantivo quanto como verbo ("to blog", ou "blogar"), aplicando o termo junto ao serviço Blogger — e isso levou à popularização definitiva das palavras.
No início de 2000, o Blogger introduziu o permalink — ligação permanente.
Cada publicação passou a ter uma URL fixa, sempre disponível, que qualquer pessoa podia referenciar e copiar.
Antes disso, recuperar conteúdo nos arquivos de um blog dependia exclusivamente de navegação livre ou cronológica.
O permalink permitiu que blogueiros referenciassem publicações específicas em qualquer blog — e isso mudou tudo.
Na sequência, hackers criaram programas de comentários para sistemas de publicação que ainda não ofereciam essa capacidade nativamente.
O processo de comentar em blogs significou o início de uma cultura participativa real na internet.
Se você lê um post hoje e deixa sua opinião nos comentários, está usando uma herança direta desses primeiros experimentos.
Vale guardar isso.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: