10 de novembro. Dois jovens foram acampar numa floresta e nunca voltaram.
O Estado falhou em protegê-los — e, no que dependia do sistema, teria protegido o algoz.
A data ficou registrada no calendário paulista por lei — a Lei Nº 11862, de 2005 — com um objetivo direto: não deixar que o Brasil esqueça.
Porque esquecer, nesse caso, seria uma segunda violência.
Felipe tinha 19 anos. Eliana, 16.
Namorados, decidiram passar um fim de semana acampando numa área isolada da zona rural de Embu-Guaçu, na Grande São Paulo — um lugar que não conheciam, sem o conhecimento dos pais.
Tiveram o azar de cruzar com cinco homens que seguiam para pescar na região.
Entre 1º e 5 de novembro de 2003, os dois foram torturados.
Eliana foi estuprada de forma quase ininterrupta, em rodízio, pelos cinco criminosos. Ambos foram assassinados.
Cada palavra pesa — e é exatamente por isso que essa data existe.
Os corpos foram encontrados em 10 de novembro, e a comoção que se seguiu reacendeu o debate sobre a maioridade penal no Brasil, sobretudo porque um dos envolvidos era menor de idade.
Champinha não foi preso.
Por ser menor de idade, cumpriu apenas 3 anos de internação na Fundação CASA — a antiga FEBEM — com fins de reeducação.
Mas em 2007, uma emissora de TV paulista o filmou numa casa decorada em alto padrão: sofá, TV de 29 polegadas, cinco refeições diárias preparadas por nutricionistas.
O custo para o Estado girava em torno de 12 mil reais por mês. Ou seja: a sociedade financiava o conforto de quem a destruiu.
Depois disso, foi emitido laudo médico considerando-o inapto para viver em sociedade — e ele segue internado até hoje.
Confira o calendário de feriados nas maiores cidades do Brasil: