Microcefalia, retardo no desenvolvimento, dificuldades cognitivas e comportamentais que duram a vida inteira.
Tudo isso pode vir de uma única fonte: o álcool consumido durante a gravidez. É o que define a Síndrome Alcoólica Fetal.
Mas você sabia que o Amazonas tem uma data inteira dedicada a falar sobre isso — e que ela existe há quase 20 anos?
A data existe desde 2007.
A Lei Nº 3.163, de 2 de agosto daquele ano, transformou o 17 de julho no Dia Estadual de Prevenção da SAF no Amazonas.
Ou seja, a lei já tem quase duas décadas.
A SAF reúne um conjunto de transtornos físicos, mentais, neurológicos e comportamentais que se manifestam ao longo da vida — e que têm origem gestacional.
Microcefalia e retardo fetal são os mais conhecidos, mas a lista vai além: deficiências físicas, cognitivas, comportamentais, sociais e motoras que acompanham o indivíduo por toda a vida.
Porém, por razões que a ciência ainda não conseguiu explicar, nem toda criança nascida de mãe que bebeu durante a gravidez desenvolve a síndrome.
Alguns fetos são mais vulneráveis do que outros — e os mecanismos por trás disso seguem desconhecidos.
Os primeiros relatos vieram da França, em 1968.
Pesquisadores descreveram graves efeitos adversos do álcool em 127 filhos de mães alcoólatras — e foi esse estudo que abriu caminho para um campo que, até então, tinha muito pouca visibilidade.
Cerca de cinco anos depois, dois teratologistas da University of Washington Medical School, em Seattle, foram além.
Kenneth Lyons Jones e David Weyhe Smith descreveram um padrão claro de má-formações, estabeleceram critérios diagnósticos e deram nome ao distúrbio: Síndrome Alcoólica Fetal.
O conhecimento sobre os efeitos do álcool na gestação ainda era relativamente recente — mas a terminologia, a partir daí, ganhou o mundo.
O consumo durante a gravidez pode provocar desde disfunções sutis até o quadro completo da SAF, passando por parto prematuro, aborto e morte fetal.
A prevalência média mundial fica entre 0,5 e 2 casos por mil nascidos vivos — índices que superam distúrbios do desenvolvimento como síndrome de Down e espinha bífida.
A OMS registrou que cerca de 0,1% das mortes atribuídas ao álcool em 2012 estavam relacionadas a condições neonatais, incluindo a SAF.
Nos Estados Unidos, a estimativa é de 40 mil bebês nascendo com SAF a cada ano — mais do que novos diagnósticos de autismo no mesmo período.
É uma das principais causas evitáveis de deficiência intelectual. Estudos recentes chegam a apontar até 50 casos por 1.000 nascimentos no país.
No Brasil, são estimados entre 1.500 e 3.000 casos novos por ano — e todos poderiam ser evitados com uma única mudança de comportamento durante a gravidez.
Por isso, falar sobre o 17 de julho não é suficiente: a informação precisa chegar antes que a gestação comece.
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