25 de junho.
Moçambique para.
A data marca a conquista da independência completa em relação a Portugal — algo que levou cerca de dez anos de guerra de libertação para acontecer.
E não teria acontecido sem dois eventos: a luta armada da FRELIMO e a "Revolução dos Cravos" dos portugueses.
Por isso, os moçambicanos chamam essa data de "Dia da Vitória".
Mas como um país chega à independência depois de séculos de dominação colonial?
A FRELIMO — Frente de Libertação de Moçambique — nasceu em 25 de junho de 1962 com um objetivo claro: conquistar a independência de Moçambique em relação aos portugueses.
Para isso, desencadeou a Luta Armada de Libertação Nacional.
Mas a guerra não foi o único caminho.
Em Portugal, militares cansados de conflitos coloniais derrubaram o regime numa revolução que ficou conhecida como a "Revolução dos Cravos" — e abriu espaço para o que nenhuma batalha conseguiria sozinha: uma negociação formal.
Em 7 de setembro de 1974, em Lusaka, na Zâmbia, delegações da FRELIMO e representantes do Estado português assinaram os "Acordos de Lusaka" — o documento que definiria as condições para a independência completa de Moçambique.
A Cláusula 1 foi direta — e histórica: Portugal reconheceu formalmente o direito do povo moçambicano à independência.
Depois de séculos, a soberania sobre aquele território mudaria de mãos.
A Cláusula 2 fixou a data: 25 de junho de 1975.
Não foi escolha aleatória — era exatamente o aniversário de fundação da FRELIMO.
O mesmo dia em que o movimento nasceu seria o dia em que o país nascia livre.
A força simbólica disso é difícil de exagerar.
A Cláusula 3 definiu o que aconteceria no intervalo entre a assinatura e a proclamação: um período de transição com poder bipartido.
Portugal mantinha a soberania formal via Alto-Comissário, mas a FRELIMO assumia o governo e a administração do território.
Além disso, as Cláusulas 6 e 7 garantiram à FRELIMO o direito de indicar o primeiro-ministro e dois terços dos ministros.
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