Dia da Etnia Italiana 2026

Data Comemorativa
Dia da Etnia Italiana 2026 já passou 20 de Maio de 2026 | Quarta-feira
Próximo Dia da Etnia Italiana 20 de Maio de 2027 | Quinta-feira
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Sobre Dia da Etnia Italiana

O que leva uma família a cruzar o Atlântico, deixar tudo para trás e apostar a vida numa clareira no meio do nada?

Vinte de maio de 1875.

As famílias Crippa, Sperafico e Radaelli desembarcaram no que os exploradores chamavam de Campo dos Bugres — uma clareira no nordeste gaúcho que mais tarde se tornaria Caxias do Sul.

Vinham de Milão, fugindo da fome e da miséria, prontos para subir a Serra gaúcha e abrir caminho do zero.

Por isso o Rio Grande do Sul escolheu essa data para celebrar o Dia da Etnia Italiana, todo 20 de maio — comemoração instituída pela Lei nº 11.595, de 3 de abril de 2001.

A data marca o início simbólico da colonização italiana no estado, quando os primeiros grupos chegaram de Belluno, Treviso, Pádova, Mântova e Tirol.

A Chegada

Nova Milano — atual distrito de Farroupilha-RS — foi o berço de tudo isso, na avaliação do médico veterinário e professor Thomaz Lucia.

As primeiras levas chegaram sem garantia nenhuma: pioneirismo, privações, suor e fome.

Era isso que os esperava do outro lado do oceano.

A estratégia do governo imperial era simples: usar os imigrantes para colonizar o vazio na parte superior da Encosta da Serra, antes ocupada por índios do grupo Gê, caçadores e coletores de pinhões.

O governo coordenava, cedeu as terras, fechou contratos — mas quem de fato construiu foi o imigrante. O Estado entrou como coadjuvante.

O italiano, como protagonista.

Aos poucos, outros italianos foram chegando, somando forças, viabilizando o sonho de "fazer a América".

O Rio Grande do Sul recebeu cerca de 80 mil imigrantes, fixados principalmente na Serra gaúcha.

Não foi o estado que acolheu o maior número no Brasil — foi o que melhor aproveitou a colonização. Ou seja, quantidade não era o ponto.

O que importava era o que se fazia com ela.

Quem Pagou a Conta

Os colonizadores alemães, chegados a partir de 1824, receberam lotes com até 77 hectares.

Os italianos, 51 anos depois, tiveram no máximo 30 hectares — e ainda pagaram por eles, algo que não aconteceu com as outras imigrações.

A área que abrigaria a Região Colonial Italiana (RCI) no nordeste gaúcho foi cedida pelo Governo Imperial em 1870, a pedido da Província do Rio Grande do Sul.

Em 31 de janeiro de 1872, a Província firmou contrato com Caetano Pinto & Irmão Holtzweissig & Cia, assumindo o compromisso de trazer 40 mil imigrantes em 10 anos.

Os Números

O ritmo era constante: entre 3 e 4 mil pessoas chegando por ano até 1888.

Em 1884, uma queda — pouco mais de 1 mil. No ano seguinte, uma explosão: 7.600 imigrantes só no Rio Grande do Sul.

Os dados são do médico Thales Olympio Góes de Azevedo, no livro Italianos e gaúchos: os anos pioneiros da colonização italiana no Rio Grande do Sul.

Entre 1882 e 1892 — com exceção de 1890 e 1891 — os italianos representaram sempre mais de 70% de todas as nacionalidades recebidas.

Porém, apesar desse volume, a imigração foi afetada pelo retorno de imigrantes descontentes, inadaptados e mal-sucedidos.

Em 1927, cerca de 37% da população gaúcha era de origem colonial.

O escritor norte-americano Stuart Clark Rothwell, em The Old Italian Colonial Zone of Rio Grande do Sul, Brazil, detalhou a composição étnica do total colonial: 400 mil de origem alemã, 300 mil de descendentes de italianos, 80 mil de eslavos, 140 mil de luso-brasileiros e 60 mil de outras procedências.

Em 1910, quando a imigração praticamente se encerrou, o país ainda contava 1.264.000 italianos.

O que acontecia no Rio Grande do Sul não era isolado.

Em São Paulo corria o mesmo processo — mas lá a finalidade era outra: suprir mão de obra para as fazendas de café.

No gaúcho, era colonização pura. Qual modelo gerou mais raízes?

Qual deles transformou paisagem, cultura e economia de forma mais duradoura?

A Região Colonial

Os pesquisadores Vitalina Frosi e Ciro Mioranza mapearam a formação da RCI em três áreas principais.

A primeira — colônias Conde D'Eu, Dona Isabel e Caxias, ao sul do Rio das Antas — foi ocupada de 1875 a 1884.

A segunda, Antônio Prado e Alfredo Chaves ao norte do Rio das Antas, de 1884 a 1892.

A terceira, a colônia Guaporé, uma faixa a oeste entre os rios Carreiro e Guaporé, de 1892 a 1900.

A expansão das colônias anteriores — principalmente de Dona Isabel e Conde D'Eu a partir de 1882 — gerou uma quarta área: a Novíssima Colônia, com Encantado como centro.

Esse conjunto configurou a Região Colonial Italiana em sua forma inicial.

Em 1975, a pesquisa de Frosi e Mioranza revelou que essas áreas tinham se transformado em 26 municípios.

No censo de 2000, esse número havia subido para 55.

De uma clareira chamada Campo dos Bugres, nasceram dezenas de cidades — e uma identidade que o Rio Grande do Sul carrega até hoje.

Perguntas Frequentes

Dia da Etnia Italiana em 2026 foi em 20 de Maio de 2026 (Quarta-feira) e já passou. A próxima Dia da Etnia Italiana será em 20 de Maio de 2027 (Quinta-feira).

Dia da Etnia Italiana é data comemorativa no Brasil.

O que leva uma família a cruzar o Atlântico, deixar tudo para trás e apostar a vida numa clareira no meio do nada? Vinte de maio de 1875.

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